Estará a Revolução Egípcia a marginalizar as mulheres?
"Há cem anos, mais de um milhão de pessoas marcharam pelas ruas em toda a Europa naquele que foi o primeiro Dia Internacional da Mulher, apelando ao fim da discriminação e para que as mulheres usufruíssem dos mesmos direitos que os homens de poder trabalhar, votar e moldar o futuro dos seus países. Cem anos depois, a realidade é a de que existe maior probabilidade de as mulheres serem pobres. Maior probabilidade de serem analfabetas. Representam dois terços do trabalho global, mas apenas ganham 10% do rendimento mundial. Produzem cerca de 80% da alimentação nos países em desenvolvimento, mas possuem apenas 1% da propriedade."
"Durante os acontecimentos dramáticos dos últimos dois meses levaram milhões de pessoas para as ruas por todo o Médio Oriente e Norte de África, apelando à mudança.
As mulheres estavam ao lado dos homens, exigindo o fim da repressão política e apelando a uma reforma radical e de raiz. Tanto as mulheres, como os homens sofreram sob estes governos repressivos. Mas as mulheres tiveram ainda que enfrentar leis discriminatórias e uma desigualdade de género profundamente enraizada.
Por isso, não admira que as mulheres tenham tomado as ruas. Que tenham aplaudido ruidosamente quando o regime de Mubarak caiu. Ou que tenham desejado acreditar na promessa de um novo amanhecer na política egípcia. No entanto, ficou ainda por saber o que realmente irá mudar para as mulheres do Egipto."
(...)"Incrivelmente, apesar de décadas de discriminação e desigualdade, é negado às mulheres um papel na criação de um novo Egipto. Estão a ser excluídas, tanto pelo governo interino, como pela comunidade internacional. Mais recentemente, um novo comité nacional formado para elaborar a nova Constituição egípcia foi composto apenas por elementos do sexo masculino. Isto é inaceitável.
Se a comunidade internacional se preocupa verdadeiramente com os direitos das mulheres no Egipto, deveria defender a participação activa das mulheres em todos os aspectos de construção de novos sistemas e instituições."
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"O apelo à igualdade, justiça e respeito foi uma questão central do primeiro Dia Internacional da Mulher. Um século depois, continua a ser." AQUI
Por: Widney Brown (Directora Sénior da Amnistia Internacional para o Direito Internacional e Política).
Fonte: Amnistia Internacional - Portugal (página oficial)

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