Apresento hoje, formalmente, a minha recandidatura à Presidência do Departamento Federativo das Mulheres Socialistas de Viseu, para um terceiro mandato.
Sustento esta minha vontade de continuar em três razões centrais: as evidências de uma participação construída em todo o Distrito, a constatação dos muitos obstáculos que ainda persistem na promoção da igualdade de género e o apelo de consciência para firmar, com convicção, de novo, o meu compromisso com estas causas.
Pois bem, evocar o caminho percorrido é falar de factos e de evidências, no PLURAL.
Em 2006, a implementação no Distrito, pela primeira vez, de uma Estrutura Partidária liderada, constituída e eleita só por mulheres, num contexto político essencialmente protagonizado por homens, só foi possível porque se criaram Redes, se teceram teias de solidariedade com um grande número de mulheres e homens das concelhias, com a Federação, com a Juventude Socialista e com o Departamento Nacional.
O Projecto Fazer Parte, com que nos apresentámos ao eleitorado, reflectia já as nossas preocupações. Tínhamos consciência que as práticas discriminatórias em relação às mulheres, provinham de uma concepção a preto e branco da sociedade, que desvirtuava as relações entre os géneros e violava direitos humanos basilares.
Aceitar o desafio de tentar inverter as lógicas de dominação vigentes, para lógicas de Igualdade, exigiu-nos criatividade e persistência.
Numa perspectiva de proximidade, foi dada pela primeira vez, formação autárquica a mulheres. Estas adquiriram competências e motivação para uma participação substantiva nos diversos órgãos autárquicos. Pretendemos, sobretudo, a capacitação das mulheres. A aposta foi pois promover o reforço das suas competências pessoais, políticas e sociais para que elas exercessem em pleno os seus direitos de cidadania.
Mas o nosso grande desígnio, ao qual dedicámos o melhor de nós, foi o combate a todas as formas de violência contra as mulheres!
Vimos o nosso trabalho reconhecido ao afirmarmo-nos como Estrutura Política com a participação de mulheres, de todas as idades e condições sociais, militantes ou independentes, todas elas empenhadas, determinadas e competentes. Por este distrito, deram o seu melhor pela defesa dos valores e princípios socialistas, contribuindo, nas suas estruturas concelhias, para os bons resultados que o Partido Socialista alcançou em todos os actos eleitorais.
Evocar, pois, este vivido recente, é também em jeito de prestar contas, ter o sentimento do dever cumprido.
Orgulhamo-nos de pertencer a um partido que reconhece que a democracia não está completa sem a participação das mulheres.
A Lei da Paridade permitiu que estas ocupassem cargos como vereadoras, presidentes de Assembleias Municipais, deputadas, presidentes de Junta ou membros de Assembleias de Freguesia, independentemente, do seu quadrante partidário, nos quais era evidente a supremacia masculina. A Lei Orgânica n.º 3/2006, de 21 Agosto, constituiu-se como um dos instrumentos mais relevantes para a construção de verdadeiros Caminhos da Igualdade.
É sem sombra de dúvida uma das mais importantes marcas do PS!
Pode haver quem questione a existência de Departamentos Federativos de Mulheres Socialistas, considerando não só a transversalidade da legislação produzida por este Governo de protecção à MULHER, nas suas diversas fases da vida, mas também a qualidade e diversidade das estruturas de base governativa, como a Secretaria de Estado para a Igualdade.
A resposta penso que a sabeis. Aliás, sabemo-la todas e todos. Os Órgãos de Comunicação Social desnudam diariamente uma realidade concreta que nos deve continuar a inquietar.
Questões que emergem dos actuais diplomas legais que enquadram as Leis do Divórcio e da Violência, ainda a penalizar, em muito, a vítima e as famílias; as descontinuidades na protecção da mulher/mãe na área laboral, os constrangimentos daí inerentes e a sua vulnerabilidade perante a actual crise económica e o emprego serão linhas de intervenção futura a requerer também o contributo da sociedade civil.
Certo é que não se muda por decreto, mas oprime-se e discrimina-se por decreto. Só a educação para uma cidadania, desde a Primeira Infância, poderá despertar consciências e a mudança de práticas.
Face aos perigosos acessos saudosistas, em crescendo, protagonizados pelas oposições à direita, que mais não pretendem do que alterar as conquistas de Abril, é nosso dever estar vigilantes.
Mais do que nunca, urge envolver Mulheres e Homens num Novo Projecto Plural e Co-participado.
ASSUMO pois COM CONVICÇÃO a minha recandidatura ao Departamento Federativo das Mulheres Socialistas para prosseguir nesta mesma rota de interacção com a Federação, com a Juventude Socialista, com os Autarcas e restantes estruturas partidárias do distrito, consolidando o trabalho com as Equipas Locais de Mulheres. Ao fazê-lo, ASSUMO continuar a ser, uma Voz Insubmissa.
Não é uma luta de mulheres, é uma luta da Democracia e pela Democracia.
Aqui e Hoje, ASSUMO COM CONVICÇÃO, o meu comprometimento, como MULHER SOCIALISTA, no reinventar de um novo modelo social que seja mais justo, mais inclusivo, centrado nas potencialidades das pessoas.
Por fim, permitam-me que cite Simone de Beauvoir: “Enquanto o homem e a mulher não se reconhecerem como semelhantes, enquanto não se respeitarem como pessoas em que, do ponto de vista social, político e económico, não há a menor diferença, os seres humanos estarão condenados a não verem o que têm de melhor: a sua liberdade”.
Viseu, 28 de Julho de 2010
