Sempre que ocorrem desgraças, atentados, crimes sanguinários e todo o tipo de atrocidades que se multiplicam pelos telejornais, surgem os especialistas a ditar sentenças. Psicólogos, sociólogos, politólogos e todos os 'ólogos' da longa lista de académicos, debitam teorias sobre o comportamento humano. Falam e ninguém os contraria, porque usam palavras com muitas letras e asseguram que o professor 'não sei quantos' já previa o que iria acontecer. Desta vez não falhou. Um louco, uma besta sádica, matou várias dezenas de pessoas na Noruega. Quase todos adolescentes e jovens. Logo após a tragédia, surgiram teorias sociais para todos os gostos e até ouvimos dizer que o maluco era um produto da sociedade. Ninguém o classificou como aquilo que é: um doente mental perigoso.
Provavelmente é por toda esta perda de tempo teórica que algumas destas desgraças acontecem. Certamente a Noruega terá serviços secretos que acompanham os radicais de extrema-direita, fanáticos religiosos e outras bestas do género, recolhem informações, sabem as suas preferências musicais e o nome das namoradas. Só falham numa coisa: não os metem na cadeira ou num hospital psiquiátrico, os únicos locais onde devem estar. Em Portugal é a mesma coisa, porque a extrema-direita já matou e ameaça matar e continua a andar à solta.
Claro que os regimes democráticos - os únicos decentes em todo o planeta - é mais frágil face a estas organizações criminosas, quer sejam de extrema-direita, de extrema-esquerda, fanáticos islâmicos, fanáticos cristãos ou simplesmente bandidos. Mas nada impede que se use a lei até aos seus extremos. Em Portugal, por exemplo, a Constituição proíbe organizações de inspiração racistas e fascista. Basta cumpri-la.
Este desleixo que acaba em desgraça é o mesmo que terá levado à morte de muitas das 26 mulheres que foram vítimas de violência doméstica, no último ano, em Portugal. Muitas devem ter apresentado queixa na polícia, pedido ajuda à Segurança Social e à própria família, sem obter resposta.
É certo que a lei é permissiva e não aplica prisão preventiva, imediata, aos criminosos, mas a tal 'teoria social' também ajuda à desgraça. Há alguns anos, ouvi uma especialista dizer que, nestes casos, vítima e agressor eram ambos... vítimas. Pode ser muito bonito, fica bem nas teses de mestrado, mas é uma asneira.Enquanto o agressor - masculino porque não vale a pena repetir as frases - tipo de que também há homens agredidos, porque são um em cada dez mil casos - não sentir na pele o efeito dos seus crimes, fica tudo na mesma. Ou pior, porque a impunidade faz aumentar a violência.
Jorge Freitas Sousa
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