terça-feira, agosto 31, 2010

Vozes Insubmissas: Mulheres em Zonas de Conflito

(" Uma de Cada Vez" por FERNANDA CÂNCIO, 27 de Agosto 2010, JN)

                                                               "Há uma mulher no Irão condenada à morte por lapidação. Tem 43 anos, dois filhos (um de 22 e uma de 17), e, dizem-nos, é culpada de "adultério "e de "envolvimento na morte do marido". Está presa há quatro anos.
Não, não é a primeira mulher a ser condenada à lapidação por adultério, no Irão (onde há mais 11 a aguardar a mesma execução) e fora do Irão. Não, não é novidade haver mulheres lapidadas por "relações sexuais ilícitas", algumas delas crianças, algumas delas vítimas de violação. Há imagens dessas execuções na Net, descrições atrozes que nos parecem mentira. Aliás tudo isto parece impossível de tão bárbaro, tão de outro mundo – um mundo onde se mata com pedras nem muito grandes nem muito pequenas para que a agonia dure, onde uma mulher pode ser o alvo de um jogo de acerta e mata por causa desta palavra, adultério, desta noção de que as mulheres são o mal e o corpo do diabo, feitas para castigo e submissão. Ler mais...

Mesmo na contemporaneidade, em que o poder entre os sexos tende para um maior equilíbrio e é "formalmente" reconhecida a igualdade, subsistem ainda remotos estereótipos. A solução passa por cada um(a) assumir uma parceria societária de homens e mulheres, transcultural, que se proponha romper com o "estabelecido". Sobre o presente artigo erguem-se, uma vez mais, vozes insubmissas de apelo à mudança, à nossa participação, sobretudo a uma tomada de posição! 
Juntemos-nos, pois, a este movimento que só pode ser de PAZ e de JUSTIÇA.
Em homenagem a esta Mulher registo o pensamento de I. Kant (1785): "Tudo tem um preço ou uma dignidade. Podemos substituir pelo seu equivalente aquilo que tem um preço; em contrapartida, aquilo que não tem preço, e portanto não tem equivalente, é aquilo que possui uma dignidade".

Fátima Ferreira

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