Caras e caros camaradas:
Esta Sessão tem como primeiro objectivo a apresentação da minha Recandidatura ao Departamento Federativo das Mulheres Socialistas de Viseu. Primeiro sim, mas não principal ou único.
O que está hoje em causa é dar corpo, visibilidade a uma Estrutura Partidária, consagrada nos Estatutos do Partido Socialista, constituída por 46 mulheres, como aqui foi anunciado, com representatividade distrital (23 concelhias) que se envolverão numa rede activa de intervenção política nas suas áreas de influência, tal como o fizeram no passado recente. Intervenção essa que aponta, primordialmente, para a defesa do direito de Ser, conscientes que a distribuição do poder, das responsabilidades e oportunidades não devem depender de se ter nascido homem ou mulher.
Esta tem sido a nossa rota desde 2006.
Uma rota norteada por objectivos muito bem definidos que se consubstanciam na mobilização das mulheres para uma cidadania que não pactua com discriminações, sejam de que cariz forem, que se indigna com a violência sobre as mulheres, que não aceita que sejam estas as primeiras vítimas da exclusão social e da pobreza.
Não nos limitámos nunca e apenas pelo assumir das causas.
Demonstrámos continuamente que nós, mulheres do Departamento Federativo, não ficámos só pelas palavras. Afirmámos, em vários momentos de grande exigência partidária, a nossa força, a nossa determinação, a nossa coragem, que nunca esmoreceu face aos desafios. Estivemos em todos os momentos, respondemos a todos os chamamentos.
O aumento significativo de mulheres militantes, filiadas ou independentes, nestes últimos anos, as marcas que imprimimos na acção política e no exercício da cidadania se nos estimulam e motivam, acrescem as nossas responsabilidades.
Este passado/presente condicionou a nossa decisão de continuar; constituiu a razão principal desta recandidatura.
Senti e sinto o dever de continuar para valorizar, para dignificar o papel das mulheres, das que construíram uma equipa comigo e de muitas outras deste distrito, que sem procurar os holofotes do protagonismo foram e são traves - mestras na defesa dos ideais socialistas.
Temos uma grande EQUIPA e um PROGRAMA.
Programa de Acção para 2010-2012,que resultou do contributo de inúmeras mulheres deste distrito, a quem aproveito para agradecer publicamente, (muitas estão presentes nesta sala), numa clara demonstração desta consciência política emergente que traz novos olhares, outras dimensões às respostas para os complexos problemas que actualmente se perspectivam, neste mundo em profunda crise económica.
É que, não faz mais sentido, elegermos a sociedade da paz, do respeito pelo ambiente, da solidariedade, da justiça, da luta pelos direitos individuais ou colectivos, da igualdade como a sociedade que almejamos, sem assumirmos a nossa co-responsabilidade na sua construção. Celebrar os valores da República neste ano em que se comemora o seu centenário, não basta. Como não basta celebrar o Centenário do Dia da Mulher, assinalar o Ano Europeu contra a Pobreza e Exclusão social ou outras efemérides que não passam do dia seguinte.
Temos que nos comprometer e actuar. A cidadania pratica-se responsabilizando-nos e responsabilizando. E isto é intervenção política.
A Lei da Paridade sinalizou essa mudança de paradigma indo ao encontro das Recomendações de Organizações Internacionais, quer da U. E. e da O.N.U. permitindo assim a entrada de muitas mulheres na vida política nas suas várias vertentes. No entanto, basta contabilizar a participação das mulheres nas decisões políticas a nível mundial que constatamos que há um longo caminho para percorrer. Segundo dados da ONU, não passam de 19% de mulheres que ocupam cargos de topo de âmbito político. E se atentarmos na situação distrital, ao nível das lideranças autárquicas, vemos que revela um défice de quase 100%!
Ninguém negará que este vector, a participação das mulheres no campo das decisões, define a qualidade da democracia que vivemos.
É óbvio também que o cerne da questão se joga na conciliação, no tempo da partilha das responsabilidades familiares e profissionais, com graves repercussões na independência económica das mulheres e na sua contribuição, ainda não suficientemente valorizada, para a economia do país. Torna-se óbvio assim que a questão da conciliação terá de ser o centro das discussões ao mais alto nível das decisões políticas e empresariais.
Agora, será que a generalidade das mulheres, está suficientemente convencida da real importância da representação feminina nos órgãos do poder? Será que gostam de manter o estatuto de super-mulheres, com dupla jornada de trabalho, auferindo menos 16% que os companheiros que desempenham iguais funções?
A tradição milenar, o hábito pesam ainda mais que as correcções ideológicas ou legislativas e torna-se assim verdade que os homens e mulheres acabam coniventes na manutenção deste status quo.
Porém, houve, nestas últimas décadas, temos de o reconhecer e assinalar, inúmeras conquistas algumas inimagináveis. A nível nacional, as políticas de transversalidade de género tiveram impacto muito positivo, directo ou indirecto, na protecção à mulher e à família, na maternidade, na saúde, no acesso ao mercado de trabalho, na educação e nos equipamentos sociais.
Os Departamentos Federativos das Mulheres Socialistas têm dado um em excelente contributo, neste âmbito, em parcerias alargadas quer com a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género quer com outras estruturas com os mesmos desígnios.
Pelo nosso lado, para além de dar continuidade ao trabalho já no terreno, Assumimos Com Convicção, para este novo mandato, 5 GRANDES COMPROMISSOS:
i) Reorganizar, a nível distrital, o Departamento Federativo das Mulheres Socialistas, em proximidade, com enfoque na criação de Núcleos Concelhios mais estruturados e com maior capacidade mobilizadora;
ii) Fomentar espaços de Formação Política e Debates Temáticos em parceria com todas as Estruturas, em particular com a Juventude Socialista, potenciando candidaturas de mulheres a cargos políticos;
iii) Criar uma base de informação na área dos direitos pessoais e profissionais, melhorando a qualidade das redes comunicacionais;
iv) Apostar na promoção do empreendedorismo das mulheres, envolvendo as estruturas vocacionadas para o efeito e divulgando experiências de sucesso;
v) Combater a violência sobre as mulheres numa lógica de prevenção e acção através de parcerias com as ONG,s, instituições governamentais e Escolas.
Não assumimos o compromisso de fazer mais, nem de intervir em áreas a que não temos acesso.
ASSUMIMOS COM CONVICÇÃO procurar Fazer Melhor com realismo e verdade. Nesta lógica de falar claro, a nossa força terá que se ancorar na força e no apoio solidário das mulheres e dos homens dentro e fora do partido.
Termino como comecei: saudando e agradecendo. Em primeiro lugar à Comissão de Honra. Um bem-haja a todas pela presença, pela confiança, pelo apoio. Mais que a Comissão de Honra de uma candidatura, deveria chamar-se Comissão de Afectos, que é o que é na realidade. Uma palavra também muito especial para algumas companheiras de jornada que trilham comigo há muitos anos estes caminhos. Não preciso de as nomear. Elas sabem da minha gratidão.
Por último, à directora de campanha, Olga Sacramento, «aquele abraço».
Aos nossos (as) ilustres convidados (as) um até sempre e obrigada mais uma vez.
Fátima Ferreira